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ATIRE A PRIMEIRA FLOR

ATIRE A PRIMEIRA FLOR

Quando tudo parecer caminhar errado, seja você a tentar o primeiro passo certo;

Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto, acenda você a primeira luz,

traga para a treva, você primeiro, a pequena lâmpada;

Quando todos estiverem chorando, tente você o primeiro sorriso;

talvez não na forma de lábios sorridentes, mas na de um coração que

compreenda, de braços que confortem;

Se a vida inteira for um imenso não, não pare você na busca do primeiro

sim, ao qual tudo de positivo deverá seguir-se;

Quando ninguém souber coisa alguma, e você souber um pouquinho,

seja o primeiro a ensinar, começando por aprender você mesmo,

corrigindo-se a si mesmo;

Quando alguém estiver angustiado à procura, consulte bem o que se passa,

talvez seja em busca de você mesmo que este seu irmão esteja;

Daí, portanto, o seu deve ser o primeiro a aparecer, o primeiro a mostrar-se,

primeiro que pode ser o único e, mais sério ainda, talvez o último;

Quando a terra estiver seca, que sua mão seja a primeira a regá-la;

quando a flor se sufocar na urze e no espinho,

que sua mão seja a primeira a separar o joio, a arrancar a praga,

a afagar a pétala, a acariciar a flor;

Se a porta estiver fechada, de você venha a primeira chave;

Se o vento sopra frio, que o calor de sua lareira seja a primeira proteção

e primeiro abrigo.

Se o pão for apenas massa e não estiver cozido,

seja você o primeiro forno para transformá-lo em alimento.

Não atire a primeira pedra em quem erra.

De acusadores o mundo está cheio; nem, por outro lado, aplauda o erro;

dentro em pouco, a ovação será ensurdecedora;

Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu;

sua atenção primeiro para aquele que foi esquecido;

Seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém;

Quando tudo for espinho, atire a primeira flor;

seja o primeiro a mostrar que há caminho de volta,

compreendendo que o perdão regenera,

que a compreensão edifica, que o auxílio possibilita,

que o entendimento reconstrói.

Atire você, quando tudo for pedra,

a primeira e decisiva flor.

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numa noite de neve

Perto do bosque, numa noite de neve

O dono dos bosques conheço,creio,

No entanto, mora na cidade, alheio,

E não verá que me detenho aqui

Olhando a neve que de noite veio.

a meu cavalo parece um engano

Que eu pare neste ermos, sem plano,

Entre bosques e lagos congelados

No entardecer mais sombrio do ano.

Agita a rédea, sinto seu chamado

Que me pergunta se está algo errado.

Além dele,  ouço apenas a passagem

Da brisa leve e os flocos repousados.

O bosque escuro e fundo é bom de ver,

Mas eu tenho promessa a manter,

E há que andar mito, antes de adormecer.

Meu-postador
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