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humor 4

O babaca

O sujeito viajava pelo interior de Minas e passava por uma estradinha de terra para chegar a um pequeno arraial meio perdido no cerrado lá pelos cafundós onde o Judas perdeu as botas. De repente lá pelas tantas, quase anoitecendo, seu carro estraga. Por sorte, não muito distante dali havia uma pequena cabana feita de pau a pique e barro batido de um caipira daquelas paragens. Como chovia muito o recurso foi pedir ajuda ao matuto que muito prontamente lhe atendeu.

O sujeito lhe ofereceu uma pinga para tirar a friagem do peito e um pedaço de mandioca cozida com torresmo de panela, pois não tinha mais nada para comer na casa.

Com aquela chuvinha fininha caindo, lamparina de querosene acesa num canto, umas goteirinhas aqui e acolá que vazavam água da chuva pelo teto de sapé, a escuridão foi chegando. De repente um vaca empurrou a janela, arrebentando a tramela e botou a cabeça para dentro de casa. O caipira que fumava seu cigarrinho de palha, sentado no banquinho do outro lado jogou a botina na cabeça dela e gritou com ela:

– Sai pra lá, Chimbica!!!

A vaca foi embora o visitante teve que fechar a janela porque “o da roça” nem se mexeu. Daí há pouco a porta se abriu num estalido e entrou um cabritinha berrando e toda molhada perto do seu dono que deu-lhe um tapa no focinho gritando:

– Sai daqui, Chiquita!!!

Enquanto a porta ainda estava aberta entrou uma cachorrinha toda molhadinha, coitada. O capiau falou bravo com ela:

– Vai pro seu canto, Ninica, e vê se fica quieta que nóis já vai dormir!

Aí do doono do casebre virou-se para o viajante e falou

– Óia, moço. Aqui só tem uma cama no meu quatinho e tem um colchão de paia sobrano que o senhô pode botar aqui por perto do fogão. Mas, ta goterando muito por aqui. Se o senhô preferi pode dormi lá no paiol com a Bibica por cima das paias, que lá num gotera não.

O viajante pensou bem e decidiu ficar por ali mesmo. Essa tal de Bibica deve ser uma porca ou então uma outra vaca, pensou ele. E, então falou para o seu anfitrião:

– Fico por aqui mesmo se o amigo não se importar. Ta mais quentinho. Se não lhe incomodar?

– Incômodo nenhum, moço. Ocê é qui sabe! Eu acho que a Bibica é qui ia gostá muito, mais se ocê num que, num queira.

E todos foram dormir enquanto a chuva caia fina lá fora, até quase o dia raia. No dia seguinte antes do sol nascer o viajante acordou com uma voz feminina do seu lado lhe chamando

– Ô moço, ô moço,… acorda sô moço. Acorda pro sinhô toma café com gente.

Foi aí que ele abriu os olhos e viu um belíssima garota ajoelhada do seu lado lhe tocando com um toque todo carinhoso. Ele se assustou um pouco e perguntou.

– Quem é você?

– Eu sou a Bibica, trabaio aqui com o seu Quim. E você quem é

– Eu sou o Babaca!

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